O Ministério da Saúde suspendeu preventivamente o uso da vacina do Butantan contra a dengue após registro de reações adversas que estão associadas temporalmente à aplicação do imunizante.
A pasta recomendou que unidades que aplicaram a vacina nas últimas três semanas façam um acompanhamento de pessoas vacinadas para identificar se houve reações nesse grupo. Foram 501 mil doses aplicadas no país desde janeiro, majoritariamente em profissionais da atenção primária à saúde.

Segundo dados apresentados pela pasta, foram 42 reações apresentadas entre as 500 mil pessoas que receberam a vacina. Nesse universo, três pessoas tiveram reações graves (dessas três, duas morreram). O Ministério da Saúde disse que ainda não pode confirmar se os casos graves são consequência do uso da vacina.
Nos três casos graves, os pacientes registraram sintomas de dengue grave num espaço de até três semanas depois da vacina. Houve registro de casos adversos em Botucatu (SP), Nova Lima (MG) e Maranguape (CE), além de uma região de Araguaína, no Tocantins.
Nos dois casos de óbito, uma mulher de 48 anos teve comprometimento neurológico após manifestar os sintomas 19 dias após a vacinação. Na outra situação, um homem de 58 anos teve quadro febril cinco dias após tomar a vacina, com rápida evolução para sintomas de dengue grave, com choque refratário.
Nos últimos 21 dias, tanto pessoas individualmente quanto a unidade básica de saúde, tiveram acompanhamento especial para identificar se pessoas que tomaram a vacina acabaram desencadeando sinais de alerta ou reação adversa.
“Os 42 casos significam oito casos para cada 100 mil doses aplicadas. É um sinal de alerta que recomenda a descontinuidade até que se possa realizar todas as investigações necessárias para ver reação de causalidade, fatores relacionados dentro de 500 mil doses aplicadas”, disse o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.
A jornalistas, Padilha afirmou que nenhum desses casos registrados foi detectado nos estudos clínicos da vacina, que foi feito com 11 mil pessoas. “Foram eventos inesperados que não foram observados em todos os estudos clínicos observados”, disse.
Apesar das adversidades, Padilha lembrou que, até o momento, houve queda substancial nas mortes de dengue no país em relação aos últimos anos: foram 178 neste ano, contra 1.791 em 2025 e 6.320 em 2024.
Conforme o ministério, todas as doses aplicadas até o momento foram 100% de produção brasileira. Em janeiro, o Butantan fechou parceria com a chinesa WuXi Vaccines para alavancar a produção do imunizante e ampliar as entregas no segundo semestre.
As vacinas suspensas não serão descartadas e permanecerão em estoques de refrigeração enquanto o Ministério da Saúde conduz investigações sobre os episódios.
A Butantan-DV, de dose única, começou a ser aplicada no Sistema Único de Saúde (SUS) em 17 de janeiro. O imunizante foi aprovado em novembro do ano passado pela Anvisa após análise dos dados de cinco anos de acompanhamento dos 16 mil participantes voluntários do ensaio clínico.
Casos graves
O Ministério da Saúde detalhou os três episódios de reação grave à vacina, sem especificar em quais municípios teriam ocorrido:
- Caso 1: mulher de 39 anos apresentou febre, mialgia e náuseas seis dias após receber a vacina. O quadro evoluiu para sintomas compatíveis com dengue grave, incluindo choque, levando à internação em UTI (Unidade de Terapia Intensiva). A paciente respondeu positivamente ao tratamento e recebeu alta hospitalar;
- Caso 2: mulher de 48 anos imunizada desenvolveu sintomas de dengue grave, que evoluiu para um quadro de meningoencefalite 19 dias depois, levando ao óbito;
- Caso 3: um homem de 58 anos apresentou quadro febril cinco dias após receber a vacina. A condição progrediu para sintomas de dengue grave, acompanhados de choque refratário, levando ao óbito.
Por Estadão Conteúdo e SBTNews