Pesquisas de intenção de voto da Quaest e do Datafolha mostram que as disputas eleitorais podem ser definidas no primeiro turno em pelo menos 16 estados nas eleições para os governos estaduais.

Esses cenários se tornam factíveis diante de polarizações estabelecidas ainda antes do início da campanha eleitoral entre dois grupos políticos dominantes em vários estados, além de governadores bem avaliados que tentam a reeleição em 2026.
Dois nomes competitivos
Em cinco estados, disputas inclinadas a serem definidas no primeiro turno são marcadas por polarizações entre um grupo político que comanda o governo estadual e outro que exerce maior influência sobre a prefeitura da capital.
É o caso de Alagoas, Pernambuco, Bahia, Amapá e Sergipe – neste último, o governador Fábio Mitidieri (PSD) tenta a recondução contra Valmir de Francisquinho (Republicanos), apoiado pela prefeita de Aracaju, Emília Corrêa, eleita pelo PL e que migrou pro Republicanos.
Na Bahia, o governador Jerônimo Rodrigues (PT) tenta um novo mandato contra ACM Neto (União Brasil), que possui um aliado no comando da prefeitura de Salvador – o prefeito Bruno Reis (União Brasil). O próprio ACM foi prefeito da capital de 2013 a 2021, encerrando o mandato com taxas recordes de aprovação em uma cidade reduto do petismo.
O panorama é semelhante ao de Pernambuco – com o ex-prefeito do Recife João Campos (PSB) sendo o principal adversário da governadora Raquel Lyra (PSD) – e de Alagoas, com a acirrada disputa entre o ex-governador Renan Filho (MDB), cujo grupo político governa Alagoas, e o ex-prefeito de Maceió João Henrique Caldas (PSDB), conhecido como JHC.
No Ceará, a definição no primeiro turno é uma tendência porque nenhum outro candidato além de Ciro Gomes (PSDB) e Elmano de Freitas (PT) aparece com mais de 1% das intenções de voto.
Força das capitais
Em geral, os ex-prefeitos de capitais tentam abrir uma margem expressiva de votos na sua cidade a fim de compensar a tendência de maior influência dos atuais governos em cidades do interior.
É essa a expectativa do governador do Amapá, Clécio Luís (União Brasil), aliado do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil), que tenta avançar sobre bases em 15 cidades para compensar a ampla popularidade do ex-prefeito Dr. Furlan (PSD) em Macapá, maior colégio eleitoral amapaense.
Aprovação ajuda
Pelo menos seis governadores se ancoram em avaliações positivas expressivas para tentar a reeleição nos estados de Goiás, Mato Grosso do Sul, Piauí, Paraíba, São Paulo, e Santa Catarina.
Nomes da direita, Jorginho Mello (PL) e Eduardo Riedel (PP) têm cenários favoráveis em Santa Catarina e Mato Grosso do Sul, respectivamente. Ambos registram a mesma expressiva aprovação aos seus governos: 73%, conforme a Quaest.
Em São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), aliado do candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL), aparece com ampla margem de diferença sobre Fernando Haddad (PT). O governador do maior colégio eleitoral do país é aprovado por 58% dos eleitores, com taxa de rejeição de só 25% dos paulistas.
Enquanto enfrenta disputas acirradas no Ceará e na Bahia, o PT poderá assegurar uma vitória no próximo domingo (4) no Piauí, com Rafael Fonteles favorito para desbancar Joel Rodrigues (PP) e ser reeleito. O Datafolha mostra o governador com 70% de aprovação.
A vez dos vices
Governadores que assumiram em abril, após a renúncia dos titulares – como Daniel Vilela (MDB), em Goiás, Lucas Ribeiro (PP), na Paraíba – avançam nas pesquisas, após herdarem a popularidade dos antecessores Ronaldo Caiado (União) e João Azevêdo (PSB), respectivamente.
Já Celina Leão (PP), no Distrito Federal, lidera com outra estratégia: se afastar da herança maldita do BRB (Banco de Brasília) deixada por Ibaneis Rocha (MDB), mantendo só os louros dos oito anos de governo do emedebista.
No Pará, Hana Ghassan (MDB) viu o adversário Dr. Daniel (Podemos) se descolar desde agosto e agora tenta forçar um segundo turno.
Bolsonarismo em Roraima e Rio
Estado com maior votação proporcional ao ex-presidente Jair Bolsonaro em 2022, Roraima poderá eleger na próxima semana um governador do PL. Isso porque o ex-prefeito de Boa Vista Arthur Henrique aparece com 57% das intenções de voto.
Quatro vezes prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PSD) tenta administrar a vantagem a fim de resolver a eleição no primeiro turno. Contudo, o objetivo pode ser frustrado pelo avanço de Douglas Ruas (PL), que ancora sua campanha no bolsonarismo e tenta levar a eleição ao segundo turno.
Maranhão pendente
Beneficiado pelo racha no grupo político de Carlos Brandão, o ex-prefeito de São Luís Eduardo Braide (PSD) desponta sobre Orleans Brandão (MDB), sobrinho do atual governador. O vice-governador Felipe Camarão (PT), que manteve o legado da aliança com o ex-governador e hoje ministro do STF Flávio Dino, não conseguiu capitalizar o rompimento com os Brandão e aparece atrás, em terceiro lugar.
Abstenção no 2º turno
A definição dos governos já no domingo pode ter impacto na eleição presidencial, já que historicamente a abstenção cresce no segundo turno em estados em que o eleitor não precisa voltar às urnas para escolher o governador.
Nesse cenário, pesa para os cálculos da campanha de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a eventual perda de votos sobretudo na Bahia, em Pernambuco e no Ceará, onde tem larga margem sobre os adversários.
Já Flávio Bolsonaro (PL) pode ter seu calcanhar de Aquiles em Santa Catarina, uma fortaleza bolsonarista no Sul, e em São Paulo, onde tenta alargar a vantagem sobre Lula para compensar a massa de votos petistas vinda do Nordeste.
Fonte: SBT News