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LITÍGIO TERRITORIAL

Pedido de entidades pode atrasar julgamento do litígio entre Piauí e Ceará

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Pelo menos 15 entidades, entre associações de povos indígenas, de prefeitos e produtores rurais, ingressaram com pedidos para terem direito de participarem, e terem voz, no processo do litígio entre o Piauí e Ceará.

(Foto: Reprodução)

A estratégia é de defenderem seus territórios em uma demanda que terá impacto direto para eles. A Procuradoria-Geral do Piauí vê os pedidos como estratégia, tumultuando o processo e atrasando o julgamento da ação no STF (Supremo Tribunal Federal).

“Cada pedido de ingresso no processo, acaba gerando um tumulto processual, quanto mais atores envolvidos no processo mais ele demora e fica complexo”, disse o procurador Lívio Bonfim, da Procuradoria do Patrimônio Imobiliário do Piauí.

As entidades cearenses pedem para ingressar como “amigo da corte” (​​amicus curiae), já que serão atingidas com a decisão do STF. Do Piauí, nenhuma entidade pediu ingresso na ação. 

A disputa territorial do Piauí e o Ceará tem mais de 260 anos e se transformou em batalha judicial em 2011 e caminha para um desfecho no STF. A área em litígio envolve 13 municípios do Ceará, 9 do Piauí e um território de 3.000 km², o equivalente a duas cidades de São Paulo. Cerca de 25 mil pessoas moram na região, que é considerada uma joia pelo potencial econômico para agronegócio, mineração e energia eólica.

A relatora do processo, a ministra Carmen Lúcia solicitou um laudo do Exército numa tentativa de resolver o impasse que dura desde a era imperial. A perícia das Forças Armadas foi apresentada em junho do ano passado com cinco propostas, sendo três favoráveis ao Piauí e duas ao Ceará.

Piauí e Ceará ainda não foram notificados 

O STF ainda não notificou os dois estados para se manifestarem sobre o laudo do Exército, se concordam ou discordam. Com a intimação, as procuradorias do Piauí e Ceará tem 15 dias para pedir esclarecimentos. O estado do Piauí vai contestar pontos do laudo.   

“Assim como o Piauí, é provável que o Ceará peça também seus esclarecimentos complementares a respeito daqueles pontos que não se harmonizam com aquilo que o Ceará e o Piauí têm defendido”, disse o procurador Lívio Bonfim. 

O procurador ressaltou ainda que se a relatora a qualquer  momento, percebendo uma atmosfera de harmonia entre os estados, pode pedir uma audiência de conciliação.

“O Código de Processo Civil conduz a ação para uma solução consensual, que acaba trazendo uma maior pacificação social, deixa as partes satisfeitas e se buscando com mais clareza a realização do valor justiça”, disse o procurador. 

Disputa desde o Império

Um dos pontos centrais da disputa é a região da Serra da Ibiapaba. A tese piauiense é que a divisa entre os dois estados fica no ponto mais alto da cadeia de montanhas. O Ceará, por sua vez, alega que o marcador geográfico é o sopé do lado oeste, onde começariam as terras do estado vizinho.

Na ação que moveu junto ao STF, o Piauí apresentou 17 documentos, entre cartas, alvarás, decretos e mapas históricos de 1754 a 1913. Um dos mapas mais relevantes é o produzido em 1760 pelo engenheiro Henrique Antonio Galúcio, que marca a divisa pelo alto da serra da Ibiapaba.

Outro destaque é um decreto de Dom Pedro 2º, de 1880, que determina mudanças nos territórios entre Piauí e Ceará. O povoado de Amarração, no litoral, foi indicado como parte do Piauí, enquanto os cearenses absorveram a comarca de Príncipe Imperial, onde fica o atual município de Crateús.

O documento afirma que as vertentes ocidentais da serra pertenceriam ao Piauí, e as orientais seriam de posse cearense. Os piauienses defendem que o documento indica a delimitação da divisa no topo da serra, mas diz que esta divisão se refere apenas ao trecho da divisa na região de Crateús, objeto da carta régia.

A defesa do Ceará também apresenta seus trunfos entre documentos e mapas históricos que, afirmam, visam “desconstruir narrativas produzidas pelo estado do Piauí”. Entre eles estão anais históricos da Câmara e do Senado de 1880 e mapa corrigido de Galucio de 1809. Além disso, também apresenta aspectos relacionados à cultura da população que vive na região em disputa.

Investida da Alepi

Eleito o novo presidente da comissão de estudos territoriais da Assembleia Legislativa do Piauí, o deputado estadual Gil Carlos (PT) revelou em entrevista que buscará uma audiência no Supremo Tribunal Federal, dentro dos próximos meses, para consultar o andamento do processo sobre o litígio. 

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