O muro que antes marcava um cenário de desabamento de terra no bairro Paroquial, em Picos, ganhou novas cores e passou a contar a história de Antônio Carlos de Amorim, o Deda, baterista e fundador do projeto social Arena Paroquial. Deda morreu no dia 29 de julho, aos 50 anos, após ser brutalmente espancado nas proximidades do Estádio Helvídio Nunes. De acordo com as investigações da Polícia Civil, ele foi confundido com um homem suspeito de furtos em estabelecimentos comerciais.

A homenagem foi realizada pela comunidade e por integrantes do projeto criado pelo músico. O mural reúne imagens e elementos que remetem à trajetória de Deda e ao trabalho desenvolvido com crianças e jovens do bairro por meio do esporte, da música, da educação e da cultura.
“Falar do Deda, antes de qualquer coisa, é falar de uma pessoa generosa, uma pessoa que era grandiosa dentro dos seus limites. É uma pessoa que tinha a arte pulsando na vida, era apaixonado por esporte, sempre foi envolvido dentro do bairro Paroquial com essa questão da música. Ele era baterista, era um cara alegre, um cara feliz, sempre brincalhão”, lembra Francimario Santos, porta-voz do Arena Paroquial.
Arena Paroquial transforma realidade de crianças

Nascido e criado no bairro Paroquial, Deda era conhecido pela atuação junto à comunidade. Em 2022, ele fundou o Projeto Arena Paroquial, iniciativa que utiliza o esporte e atividades educativas como instrumentos de inclusão e formação de crianças e adolescentes.
O projeto começou em um terreno abandonado e, com a participação de voluntários e das famílias, passou a atender aproximadamente 100 crianças gratuitamente. Futebol, educação e cidadania estão entre os pilares da iniciativa.
“Nós estamos aqui investindo no futuro. O Arena Paroquial, se a gente fosse resumir aqui, nós diríamos que o Arena Paroquial se resume em futebol, educação e cidadania. Nós estamos formando cidadãos e esse é o nosso compromisso”, afirma Francimario.
Antes de virar referência, o local do projeto era um terreno abandonado. Foi Deda quem começou a limpeza e a transformação do espaço.
“Ele pegou uma enxada e começou a limpar aquele pedaço que era praticamente um lixão. Ali começou tudo”, conta Paulo Afonso Degô, atual diretor da Arena.
Comunidade mantém viva memória do fundador

Segundo Paulo Afonso, a homenagem representa uma forma de manter a presença de Deda na história do projeto. “A gente vai homenagear ele porque ele foi o fundador do projeto da Arena Paroquial. Então é mais do que justo a gente sempre lembrar ele, eternizar ele em nossos corações e na mente dessas crianças.”
No dia 10 de agosto, a comunidade também promoveu atividades em memória do músico, com cartazes, jogos e música. Uma canção foi criada por amigos especialmente para lembrar Deda e falar sobre a saudade deixada pela morte.
Para os integrantes do Arena Paroquial, a continuidade do projeto é uma forma de preservar aquilo que Deda ajudou a construir. “Um cara do coração enorme. As crianças adoravam ele, morriam por ele aqui onde ele estava, queriam estar junto, brincando, compartilhando. Era um homem bom”, destaca Paulo Afonso.
Veja a reportagem da TV Cidade Verde:
Fonte: Cidade Verde